Estava no café esperando a balconista me atender, quando entram duas góticas. Uma delas me dá uma olhada de cima a baixo, cochicha com a outra e ambas dão um risinho contido, porém malicioso. Eu fiz a Egípcia e nem liguei. Eu sabia que era pelo modo como eu estava vestido, para simples humanos normais tava de boa, mas pra duas góticas cadavéricas eu acho que deveria ser um carnaval: Calça Jeans cheia de recortes e um rasgo na perna atrás, que era fechado por alfinetes (a calça foi comprada assim), uma camiseta lisa amarela, uma blusa de pescador bege e botas marrom. Tudo muito lindo e de muito bom gosto, Aloka.
Fiz meu pedido, sentei-me à mesa, enfiei os fones na orelha e comi ouvindo música. Quando terminou, me deu vontade de comer mais. Então tirei os fones e levantei o braço pra atendente. A música ainda dava pra ser ouvida nos fones, baixinho, mas dava.
- Eu odeio estas músicas pá...
- Fala baixo, ele tirou os fones.
- Ele nem está a ouvir, com a altura que tava aqueles fones ele deve ter um troço (1) de cera no ouvido.
- Hahahaha parva!
- Odeio essa Amy Winehouse.
Olhei pra elas com uma expressão bem serena e feliz. As góticas juntaram as cabeças e continuaram falando, achando que eu não ouvia.
- Olha, ele até que é giro(2)...
- Credo! Olha o tamanho do nariz dele!
- Ai eu gosto!
- Shiu, cala-te preste atenção.
Elas pararam de falar, agora só podia ser ouvido a voz das balconistas conversando e o som saindo do meu MP3. Então uma das balconistas disse que tava tudo muito silencioso e ligou o som.
- Graças a Deus! – falou a gótica loira e nariguda.
- Exagerada!
- A sério, tava quase morrendo aqui com aquela música vindo do MP3 dele. Ouvistes?
- Nah, o que era?
- Não sei, mas era música brasileira! Deve ser brasileiro esse narigudo. – E eu juro, meu nariz perto do dela parecia o de uma anta perto de uma tromba de elefante.
- Odeio brasileiros!
- Eu odeio brasileiras são todas umas putas!
Terminei de comer, levantei, paguei e fui embora. Já não era a primeira e nem a última vez que eu ouviria falarem mal de brasileiros.
Eis que no dia seguinte, estou no salão e adentra a gótica nariguda com sua mãe, uma cliente minha! A menina queria colorir a parte de baixo dos cabelos de roxo, mas minha mãe estava ocupada, então eu faria o serviço...
Tratei-a super bem, lavei os cabelos pastosos de gel e arrumei-a na cadeira pra ser pintada (ui).
- Nossa, o salão tá muito quieto né? Vou colocar uma musiquinha!
Fui até o rádio e coloquei um cd da Amy Winehouse! \o/
A menina abaixou a cabeça e entrou em desespero, ela odiava aquela música e a cada nota da Amy, ela se remexia na cadeira.
- Olha desculpa, mas se você ficar mexendo demais assim na cadeira, o trabalho vai sair uma porcaria.
Usei o descolorante mais forte que temos (não que fosse preciso) mas eu queria ver a cabeça daquela ogra ardendo!
Resumindo, troquei o cd três vezes, e as três eu coloquei Amy. Fiz a menina aturar a música, ficar com o couro ardendo. O trabalho ficou ótimo, roxo como ela queria.
Não sei se um dia ela volta no salão. Mas eu fiquei de alma lavada hoje.
(1) troço - pedaço
(2) Giro - bonito, legal
12 comentários:
Não sei, mas era música brasileira! Deve ser brasileiro esse narigudo. – E eu juro, meu nariz perto do dela parecia um
seu nariz parecia um...?
seu nariz parecia um...? [2]
Completei!
^_^
Nariz mil e uma utilidades... ADORO narigudos.
Heh.
hsauhsuahsuahushauhsuahsuahsua
amuuuuuuuuuuuuuu cenas e posteriores vingancinhas saindo de loka no final, como se nada tivesse acontecido!
amu vc!
agora sim!
Dindo
Vc é mau!
E é por isso que eu te amo tanto sabia!
Só uma coisa a se dizer: Amy, Amy, Amy!!!
um luxo de mulher ;)
elmo disse que não teria teu sangue frio, não... xD
=***
Quem é essa vaca que não gosta da Amy ?
Afe
Adorei !!!!
Valeu por defender nós, narigudos.
Narigudo Pride Forevah!
Excelente história!!!
Tem que dar é muita porrada nesses Galegos que cagaram toda a América ao sul do Rio Grande com a ultraviolência e o estupro do colonialismo exploratório.
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