sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Vingancinha

Ela havia sido minha professora na escola, e com o tempo ficamos muito amigos. E do filho dela também, e assim eu a convidei pra ser minha madrinha de formatura.
Eu morava na casa de um amigo, e a mãe dele achava que era a Sinhá e eu um escravo, então contando como tudo havia sido, minha madrinha me chamou pra morar com ela.

No começo foi tudo lindo, todo mundo se dava bem, eu me sentia à vontade com eles, e a recíproca era verdadeira. Ele (o filho da minha madrinha) era um carinha muito fechado, só usava preto, tinha um cabelo gigantesco e pensamentos provenientes do século XVI. A família da minha madrinha (irmãos, pais, sobrinhos e etc) tinha sérios problemas com Ele, e quando eu cheguei no circo fui super bem recebido, e logo todos demonstravam gostar mais de mim do que d'Ele.

Passamos reveillons juntos, eu mostrei pra Ele que usar roupas coloridas e ser gentil não fazia mal à ninguém. Com minha companhia ele arrumou uma namorada (que eu apresentei e joguei nele), entrou no meu círculo de amizades e durante muito tempo foi bom.

Mas como todas as relações humanas, aquelas começaram a se desgastar. Se sumia dinheiro, minha madrinha colocava a culpa em mim. Ela comprava comida gostosa (pizza, lanches e etc) só pra Ele e me ignorava (sendo que eu pagava pra morar lá)...

Na casa tinha Sky, e um dos meus erros foi comprar um filme pornô uma vez. O qual a minha madrinha descobriu, eu confessei, e tudo ficou na boa. Mas eu repeti a cagada, mas desta vez havia comprado um filme gay.

Depois de algumas semanas, apareceram não um, mas cinco filmes gays comprados. Ele passou a espalhar histórias de que eu era gay (eu ainda não aceitava isso, eu negava que poderia ser viado) e aquilo tudo foi me entristecendo demais. Até que eu conversei com minha mãe, e ela liberou a grana pra eu ir morar sozinho.

E depois que eu saí de lá, a coisa descambou. Ele passou a falar pra quem quisesse ouvir que eu era gay, que eu havia comprado mais de dez filmes gays na Sky e que eu havia dado em cima dele. Bom, aquela história já estava passando da conta, então eu resolvi agir.

- Alô.
- Quem está falando?
- Aqui é o Átila, afilhado da "madrinha"...
- Ah oi....
- Olha eu sei que você é conta o namoro da Érika com o Ele.
- Sim, não gosto de ver minha filha com aquele cabeludo!
- Então é o seguinte, eu vou te contar uma coisa que a senhora não vai gostar...
- Diga.
- A sua filha sai todo domingo da sua casa pra passar o dia na casa d'Ele né?
- Sim, por causa do trabalho e tudo o mais é o dia que ela pode e...
- É o dia que a senhora fica descansada porque a "madrinha" está em casa e pode vigiá-los...
- Também.
- Mas ó, ela nem liga para o que eles fazem...
- Como assim?
- Ela simplesmente fica na sala, enquanto Ele e sua filha ficam no quarto, às portas fechadas... Alô! ..... Alô?

E a mãe da Érika foi até a casa da minha madrinha, acabou com tudo e não deixou mais que eles se vissem. E Ele quando me via na rua, abaixava a cabeça e mandava um "oi"...

Respeito. É isso que a gente tem que exigir. Mesmo que pra isso tenhamos que ser... venenosos.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Rixa

Na faculdade eu tive o azar de virar motivo de gozação do Coordenador do Curso já no primeiro dia de aulas. Eu entrei todo pintado (ui) e com a cabeça raspada e afins por causa do trote, e o Ademar (o tal professor/coordenador, careca, bêbado, mau-humorado, mas muito legal!) já riu de mim, e fez piada com minha situação.

Como vocês devem saber, assim que a gente passa na facul e depois do trote, pelo menos 99% dos rapazes tem que raspar a cabeça, e comigo não foi diferente. Então eu passei a usar bonés, boinas, chapéizinhos cata-ovo... e justamente com esse que o professor implicou:

Cena: Sala de aula com mais ou menos 80 cadeiras. Todas ocupadas.

Situação: chamada.

- Átila.
- Eu! - o/
- Quem? - o professor semicerra os olhos a procura até me ver. - Ah, você.
O professor se levanta e fica de frente pra turma.

- Me diga, Átila... É isso?
- É...
- Vocé tá com frio?
Era um dia de verão, em São João da Boa Vista. Uma cidade que é um inferno na terra.

- Claro que não! - respondi sorridente, todo pimpão!
- Então o senhor pode me explicar porque está com esse gorro na cabeça? Não sabe que é falta de respeito, quando na presença de uma pessoa mais velha e dentro de uma classe de aula cobrir a cabeça? E nesse calor, você cozinha os seus miolos, o que prolifera fungos, bactérias, piolhos, lêndias e toda gama de coisa ruim! Então á partir de hoje senhor Átila, você já está sabendo. Não. Quero. Que. Use. Essas. Porcarias. Na. Minha. Sala.

E no fim, eu e e 71 pessoas de uma classe de 72, estavam com os olhos arregalados.

Dois anos depois, eu estava com o cabelo comprido. Mesma sala, mesma situação. Chamada.

- Átila!
- Aqui!
- Ai meu Deus...
- Que foi, Ademar?
- Menino, você vai ser um professor! Não acha que tá na hora de cortar esse cabelo?
- Porque?
- Porque um professor tem que estar bem apresentável!
- Então quando o senhor colocar cabelo e tapar a careca, eu corto o meu! Ou senão a gente pode ir junto! Eu mando cortar e você já implanta ele!

A sala riu, o Ademar também. Mas eu fui dispensado do trabalho, Muito bem. obrigado.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Confronto

Agora eu quero ver se meus leitores tem culhões! Vou fazer um desafio pra vocês:

Contem nos comentários histórias bem podres de vocês mesmos. Se tiver mais de trinta comentários (não precisa ser história) e pelo menos cinco histórias podres amanhã eu vou contar uma de arrepiar os cabelos. E com foto!

E vocês ainda tem a vantagem do anonimato. Vamos ver se são boludos! Ou tchanudas.

Bjosnãomedecepcionem!

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Destino: Lisboa - Parte 2

As velhas sentaram-se cada uma de um lado e eu no meio, e começaram a conversar por cima de mim. Eu não ia agüentar aquilo. Olhei pros lados desesperado e vi um carinha todo bonitinho conversando com a aeromoça:

- Então, eu vou ficar na Pontinha, tenho família lá...

- Ah, tu vais gostar de Portugal, vais fazer amigos e logo esqueces o Brasil!

- É em Lisboa que fica a Pontinha não é?

E eu fiquei prestando atenção no garoto, que puxava o mesmo assunto com todos @s comissári@s de bordo de chegavam perto dele. Enquanto as pessoas entravam e tomavam seus lugares eu fui reparando no jeito do garoto, e numa analisada rápida eu percebi: era viado.

Todo mundo tomou seus lugares e o do lado dele havia ficado vago. Pra mim aquela seria a salvação, sair do meio das velhas (sem trocadilho, por favor) pra ir pro lado de um gaténho, que parecia ter a minha idade e teríamos cerca de 10 horas pra nos conhecermos melhor.

Então eu usei a mesma técnica que fazia com minha mãe: sequei os lábios, e com as mãos puxei-os pros lados, pra ficarem roxos e secos, completei com os olhos semicerrados e a respiração ofegante.

Apertei o botão pra chamar comissário e logo uma senhora veio, e nem me perguntou nada:

- Levante-se venha comigo!

Fui com a aeromoça até a parte da frente, ela pegou um copo de água com um remédio e me deu.

- É a primeira vez que voas?

- É... – menti. Mas abaixei a cabeça pra completar minha perfeita atuação.

- Não te sintas envergonhado, acontece com muita gente.

Logo a voz de uma outra comissária começou a dizer todos os processos de segurança e aquelas coisas do vôo.

- Vais ter de ficar aqui agora, não dá tempo de voltares pro teu assento.

Então, eu sentei em uma das cadeiras das aeromoças enquanto o vôo decolou! Foi bem legal acontecer aquilo de uma perspectiva diferente... Então depois de decolado e estabilizado, ela me mandou voltar pro lugar. Aquela era a hora:

- Olha, do meu lado está sentada uma senhora com um perfume muito doce. Eu acho que foi isso que me ajudou a passar mal.

Então a Comissária olhou pra onde eu estava e passou os olhos em volta.

- Olha lá perto, ao lado daquele rapaz tem um lugar, se importa de ir pra lá?

- De forma alguma!

Então, ela me acompanhou e perguntou pro menine se eu poderia me sentar ali, ele me olhou de cima a baixo e sorriu:

- Pode, pode sim!



Heh

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Todas são iguais

A aula havia terminado, mas a filha da diretora que estudava na sala do Átila pediu pra que ele ficasse brincando com ela. E assim o menino o fez.

Alice estava acostumada com seu filho chegar da escola lá pelas 5:40h, sempre com aquela mochila maior que ele mesmo nas costas e contando as suas pentelhices... Porém naquele dia, o horário normal havia passado. Alice sempre foi tranquila, com a normal preocupação de mãe, mas é aquela vibe né "mexeu com filho meu, mexeu comigo", e quando uma mãe não sabe o que aconteceu com seu filho ela vira bixo.
Já era mais de 7 horas da noite e nada do Átila chegar, todos os telefones de amigos que Alice tinha foi usado, mas ninguém sabia do seu paradeiro. Hospitais, pronto-socorro, polícia, necrotério, aquela mãe desesperada tentou de um tudo. Átila tinha evaporado.

A última tentativa foi ir até a escola ver se alguém sabia para onde o menino havia ido depois que saiu. E lá Alice reencontra seu filho. Um abraço forte reconforta a mãe, que logo depois briga com a diretora por sua falta de profissionalismo ao ficar com um aluno brincando com a filha sem avisar os responsáveis.

Então mãe e filho vão embora, e ao chegar em sua pizzaria Alice dá o castigo ao Átila: uma boa surra! Ela estava tão nervosa que a primeira coisa que encontrou pela frente ela usou pra bater no garoto: Uma faca.
Não, a mãe não matou o próprio filho, ela somente deu-lhe algumas pranchadas com a lâmina.

O tempo passa, e o Átila ao sair da escola não resiste ao convite de um amigo e vai pra casa do mesmo brincar. Quando chega cerca de 7 da noite ele vai embora, preocupado com a mãe. Ao chegar na pizzaria a mãe pega o menino pela orelha na frente de quem quisesse ver:

- Átila, assim você me mata! Eu vou te dar uma facada!
Um senhor que estava esperando sua pizza arregala os olhos e repreende a mãe durona:

- Ô minha senhora, não faz isso com seu filho não... Castiga, mas não machuca ele assim com faca não...

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Contratempos

Esse final de semana eu fui dar um up in my career. Foi bom, pois como estava sem meu PC e totalmente impossibilitado (tá exagerei) de manter contato com o mundo exterior, eu acabei por aliviar o estresse com um Curso de Maquiagem. Então domingo, foi tudo tranqüilo, acordei cedo, peguei um táxi até a estação de comboio(1) e fui desta pro Hotel onde seria realizado o curso.

O professor é um italiano conhecido no meio, ele já foi técnico de uma grande marca e agora ele é a cara e o nome de uma outra marca, tudo muito fino, tá meu bem?! Foi tudo bem legal, o cara entende da coisa, eu aprendi muito, conheci pessoas legais, só eu e mais um rapaz de homem no meio de mais de vinte e cinco mulheres, comemos mal... Mas tá, esse foi o primeiro dia e a coisa esquentou no segundo.

Acordo quase meia hora mais tarde do que deveria, minha mãe já estava gritando do outro lado do apartamento que eu estava atrasado. Corro pro banheiro, todo um banho de gato e saio pra me vestir, mas o som vindo de fora não me deixa nada animado. Ao subir os ietores me deparo com a visão do inferno, inferno molhado. Tava caindo um temporal em Lisboa e só de pensar que eu tinha que sair de casa naquele tempo já me desanimava completamente. Mas tá, eu me vesti, passei perfume (aloka achando que ia paquerar!) e vou pra cama da minha mãe. Ligamos para todos os números de taxi possíveis e imagináveis: todos ocupados. Ia ter que ir até a estação de busão.

Saí de casa com um guarda-chuva dos mais vagabundos e vou pro ponto. Eu deveria estar no Hotel às nove, já eram oito e um quarto e nada do bus passar. E a porra da chuva não dava uma trégua. Quando ele passou a minha sorte pelo menos um pouco foi à meu favor e eu achei um lugar vago, fiz a fina passei na frente de um gordo que estava pagando a passagem e sentei-me. O caminho que era suposto ser feito em vinte e cinco minutos demorou uma hora e vinte pra ser completado. Se o busão apostasse corrida com um velho de andador o velho ganhava.

Quando chega na estação vejo um monte de gente voltando e gritando: Não há comboios!

Eu como sou uma pessoa desestressada já chutei uma poça no chão e fiquei com o pé ensopado. Não liguei para o que disseram e fui pra estação assim mesmo, uma hora os comboios teriam que funfar.

Dez horas, onze horas e nada, até que um bendito resolveu botar as coisas pra funcionar, mas passaram três porras de comboios e nada do meu. Quando ele chegou, eu já não tava querendo nem saber mais de curso. Porém eu entrei no transporte lotado, achei um canto e me agachei de cócoras. O mais legal é que os comboios só poderiam ir a uma velocidade média de 20Km/h o que me deixava ainda mais animado.

Quando chegou à próxima estação o povo desceu e vagou um lugar ao lado de uma moça toda chique, corri e me sentei ao lado dela. Deus Salve o inventor do MP3, pois foi o que me salvou daquele tédio infernal. Então o comboio avançou mais uma estação, parou, umas pessoas desceram e ele avançou mais uma vez. Se ele andou dois minutos depois que a estação sumiu foi muito. E parou. De vez. Todo mundo preso dentro da porra do transporte, como o vagão que eu estava ficava no meio, eu não sabia o que havia acontecido, mais tarde nos noticiários fui ver que os trilhos tinham empoçado e não tinha como o comboio seguir. Ou seja eu passei uma hora e meia dentro daquele maldito transporte.

Mais uma vez ele resolveu seguir e na próxima estação a mulher que estava do meu lado desceu, no seu lugar sentou um senhor, de cabelo cumprido e barba, ambos brancos. O cabelo do homem era tão oleoso que eu acho que se torcesse daria pra fritar uma batata, e o cheiro que ele exalava fez meu estômago dar três loopings. Levantei-me e esperei minha estação – que era a próxima- perto da porta.

Agora que eu tinha chegado e que poderia chover a chuva resolveu dar uma trégua...

O curso? Ah não teve nada de tããõ interessante... Só o carinha que tava fazendo o curso comigo que me chamou pra ir pro banheiro e por ter acabado as modelos me pegaram pra fazer maquiagem... só!

Animadíssimo

(1) Comboio - trem

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Terracota

- Mãe porque eu tenho a pele branquinha e a Shirley tem a pele pretinha?
- Ai Átila... - o vermelho cobre o rosto da Alice que estava fazendo o pé de uma cliente.
- Hein mãe, por que?
- Vai brincar com sua geleinha, vai!
- Não! Eu quero saber!
- Olha - a cliente levanta o rosto e fala com o menino. - Sua amiga é negrinha não é?
- É!
- Então, ela é assim porque queimou demais no sol!
- Ahhhnn
- Agora vai brincar Átila! - o garoto sai e vai brincar com sua geleinha. - Essas crianças né?!

***

- Oi Shirley!
- Oi!
- Posso te fazer uma pergunta?
- Aham!
- Porque você não passou protetor solar?
- Como assim?
- Ué, daí você teria a pele branquinha como a minha! ^^

E por três meses Shyrlei não dirigiu a palavra ao menino Átila, que não entendia pusque.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

Eu matei meu filho...

Gentem simples assim:

Fui limpar a mesinha do pc, ela enganchou com o fio do aspirador e virou.

E meu filho estava em cima! T_T

Sim, eu derrubei meu pc no chão, e vai demorar pelo menos uma semana pra ele voltar.

Até lá, sem atualizações putaiada!

Bjosamovcsnãomeabandonemnessemomentodifícil!

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Dia dos Namorados

Eu andei com a menina pra cima e pra baixo fazendo a linha hétero. Sempre de mãos dadas, ela ia em casa, a gente saía juntos, mas nunca tinha rolado beijo. Até hoje não sei se era o gay enrustido em mim, ou a minha lerdeza mesmo. Porque eu não sei chegar em ninguém...

Até que teve um reveillon e eu ia levar ela em uma festa com muitos amigos meus... e eles já achavam que eu tava "pegando" a Darlene (sim esse era o nome dela).

Então a gente foi pra praça (que é linda a praça de Poços) e eu sentei olhando-a nos olhos. Olhei.

Ela sorria.

Eu olhava...

- É... sabe... ahun, bem... A gente já tá vivendo uma vida de namorados né?
- É.
- Mas ainda não fizemos o principal!
- O qu...
Antes que ela pudesse se defender eu já estava enfiando a língua na boca dela! Ai que vergonha, achar que beijar era o principal...
Whatever, o caso foi que depois disso ainda "namoramos um tempo"... terminamos, voltamos... mas quando foi se aproximando o mês de Junho eu fui desesperando... Sem trampo, sem como dar presente então chegay nela e disse:

- Darlene, eu não gosto mais de você. Quero terminar.

E hoje eu vejo que sou muito mais direto quando se trata de jogar fora do que pra chegar perto. Ou será que foi por causa da grana?

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Destino: Lisboa - parte 1

Quando eu peguei o ônibus pra ir pra São Paulo eu já não estava nada feliz, era uma vida toda que eu ia deixar pra trás em Poços de Caldas, no Brasil, pra começar uma inteiramente nova e sem perspectivas alguma em Lisboa, Portugal.

No Brasil eu tinha meus amigos, o trabalho perfeito, as baladas, a minha identidade. Já em terras Lusitanas eu não sabia o que estava a minha espera. Eu ainda passei uma semana na casa da minha tia em Sampa antes de pegar o vôo, mas então havia chegado o dia. Aquela seria a minha viagem pra Portugal.

Minha tia me levou até o aeroporto de Congonhas pra eu pegar um busão pro aeroporto de Guarulhos. Ela chorou até na despedida e minha priminha soltou uma pérola fantástica:

- Átila, a gente te espera voltar viu? Mas por favor, não fica burrinho como os portugueses?

E duas portuguesas que estavam do nosso lado olharam feio pra minha tia, que sorriu sem graça. Então eu entrei no ônibus e me sentei ali na poltrona mais ao meio... Juro que aquela viagem de 20 minutos até o outro aeroporto durou horas! Eu estava com meu celular antigo, passando mensagens de despedidas pra todos os meus amigos, e cada uma que eu recebia de volta eu chorava igual criança que perde a mãe no parque. O ponto alto da viagem de bus foi quando eu (essa é uma grande mania minha) comecei a tirar fotos de mim mesmo, pra ‘registrar o momento’! Quando eu vou ver as fotos logo reparo que uma das portuguesas saiu em umas três fotos, uma me apontando com cara feia e nas outras duas parecia que tava rindo da minha mania de fotos! :p

Então logo que cheguei no aeroporto, fui fazer o check-in (ou chequinho como diria uma pessoa que eu não vou contar quem é pra não passar vergonha). Eu tava todo me achando de cabelo comprido, o cara do guichê olhou na foto do passaporte (que eu tava de cabelo curtinho e topete) olhou pra mim, olhou na foto, olhou em mim.

- Você mudou hein?

- Pra melhor espero!

- Ah, tá parecendo mulherzinha com brinco e cabelão!

- ...

- Brincadeira!

Eu acho que ele tinha pensando alto, e na hora que ele percebeu a gafe já era tarde, mas tudo bem eu abstraí porque ele era gato e eu fazia demais! Então com as malas pesadas despachadas e o check-in feito, eu tinha agora horas intermináveis sem nada pra fazer no aeroporto até chegar a hora do vôo. Fui andando, olhando bundas e malas vitrines, até que eu vi um coiso bem legal, tiposkiera uma televisão que a gente tocava e do lado tinha tipo um globo em holograma, sei lá, acho que era isso. Então eu fui lá entrei na fila (porque pobre adora essas novidades, então lota néam?) e esperei minha vez. Quando esta chegou, eu nem toquei no negócio e veio um menino gordo de uns 10 anos correndo gritando “eu eu eu eu eu eu “ me deu um empurrão e começou a mexer! Eu fui reclamar, porque meu pavio curto me impede de ficar quieto, então um homem mais gordo ainda chegou todo suado.

- Desculpa meu filho, ele não pensa muito no que faz...

- Ah... ele tem retardamento mental? – falei com a voz mais cristalina e simpática que a minha falsidade pôde deixar.

- Uhn... mais ou menos, ele.. é...

- Teve meningite? Se for ele pode ficar com minha vez!

E saí fazendo a egípcia.

Então eu andei mais um pouco, comi no Emi Ci Donaldis e fui pra fila pra entrar na sala de embarque. Na fila um americano veio me perguntando se a fila era do vôo pra Argentina, eu disse que era pra Portugal e ele me olhou feio e mandou um “fuck u” que eu até hoje não entendi o porque... Eu acho que ele tinha perguntando outra coisa. Então cheguei na fila de espera e do meu lado sentou um espanholzinho lindo com a esposa brasileira e um filhinho recém nascido... Era tudo muito lindo se não fosse os dentes podres do rapaz e seu cheiro característico do Rio.......... Tietê. Eu não agüentei muito tempo e logo levantei e fui pra fila de embarque de uma vez. Na fila teve uma senhora que me perguntou tudo da minha vida, ela só não me perguntou como se faz uma xuca porque eu acho que ela não faz anal.

Então sem mais problemas eu entrei no avião, sentei no meu lugar, e fiquei vendo a revista com a lista de filme e músicas que ia ter pra assistir/ouvir, até que eu ouvi uma voz:

- Por favoire,pode se retirar?

Olhei pra cima e vi as duas velhinhas portuguesas que tavam me perseguindo desde Congonhas.

- Como?

- O menino está sentado no meu lugar!

- Não estou, não! - Peguei minha passagem e mostrei o número, a velha ficou toda sem graça e analisou seu bilhete com a da amiga. Então notaram que haviam vendido pra elas duas passagens intercaladas...


Comigo no meio.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Padaria

Já faz alguns dias que uma atendente da padaria perto do salão tá me irritando. Tiposkieu não posso ir lá que ela fica:

"O meu mineirinho vai querer o que?"

"Então, mineirinho do coração, o mesmo de sempre?"

E as colegas dela:

"Olha seu conterrâneo que tu gostas!"

"Vai atender o teu mineirinho!"

E eu:

...... (insira aqui a maior cara de desgosto de você imaginar)

Até que hoje eu cheguei lá, e uma das meninas vira pra brasileira e diz:

- Olha lá, seu mineirinho!
Então na hora que ela foi me atender o padeiro chamou ela na cozinha.

- Ah, eu atendo então, o que vais querer?
Eu faço meus pedidos e zaz e quando tá quase tudo pronto a chata chega da cozinha:

- Ai meu mineirinho! Já pediu tudo não vai querer mais nada? - faz boquinha sexy.
- Ahh... não...
- Ai - veio a portuguesa que tava me atendendo, olhou pra amiga e disse balançando a sobrancelha. - Porque não a levas pra casa? -
- Porque eu não gosto de coisa passada da data de validade.

Tóin

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Marido

A gente estava fazendo a peça As Beatas em Poços de Caldas, e pra angariar público fazíamos divulgação na rua, todos vestidos de velhas.

Himengarda - Vilma (eu) - Elvira - Florência - Leopolda - Malvina - Diana - Jupira

Na rua fazia o maior sucesso esses homens vestidos de velhas, falando fofo e entregando panfletos. Fazia tanto sucesso que teve um bêbado que se apaixonou pela Vilma. O filhodamãe não podia me ver (a Vilma né?! Mas era eu!) na rua que vinha chegando, pegando na cintura e encostando o pinto. Ele chegava perto, e fazia declarações de amor com aquele bafo que ninguém merece. Todos os outros morriam de rir de mim que não sabia o que fazer.

Até que um dia eu avistei o bêbado longe, e ao invés de me esconder esperei ele chegar.

- Olha se você me quer tanto eu aceito! Mas tem que casar!
- Eu fazo tudo o gui vozê guizer minha diva!

Então ele achando que ia levar a melhor foi chegando perto, eu peguei na mão dele e falei grosso:

- Bora casar comigo então! Mas antes vou te mostrar a mangueira da velha!

Ai que lindo quando ele via a Vilma e atravessava a rua!

sábado, 9 de fevereiro de 2008

Shampoo de Mel

Minha mãe e meu padastro tinham chegado de comum acordo que as coisas tinham terminado. Então o meu padastro (que é muito boca suja) tomou um banho, com o famigerado shampoo de mel dele, eu também tomei banho e fomo todos pra rodoviária, nos despedir...

Minha chorava, o rosto todo inxado... Era de cortar o coração... rezei por ela e a voz sumiu... er... uhnn desculpa! Então estávamos esperando o ônibus, quando uma abelha veio e sobrevoou a cabeça do meu padastro... depois veio uma e outra... Logo o dom dele pra falar palavrão ficou claro!

- Sai filhadaputa! - ele dava um tapa no ar.

O choro e a gargalhada se misturavam pelo rosto da minha mãe, eu também mimijava, até as abelhas virem em mim também....

E a aquele domingo foi triste, minha mãe cuidando das picadas que eu tomei, eu com o rosto inchado de picadura (ui) e ela com o rosto inchado de choro... Era difícil saber quem havia usado o shampoo de mel na verdade...

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Assalto

O Santo (Douglas) trampava em uma Lan que eu e o Brunão não saíamos de lá nunca! E naquele dia estávamos esperando o Santo fechar o caixa pra poder ir pra minha casa beber. Brunão estava sentado dentro do balcão e eu do lado de fora apoiado neste, enquanto o Daniel, dono da Lan estava sentado mexendo em um pc lá no fundo.

De repente três caras entraram na Lan, aprontaram revólveres e disseram a frase de sempre:

- É um assalto! Passa a grana!

O Daniel se lavantou e ficou com os braços no ar, o Brunão abaixou a cabeça e o Santo passou a tirar do caixa com toda a calma e colocar em cima do balcão.

- Mais rápido seu filho da puta! - ao dizer isso o assaltante apontou a arma pro Santo, mas deu um tapa na minha cabeça. Sim, ele mandava o Santo fazer as coisas mas era na minha cabeça que ele dava tapa. O Brunão contorcia a boca de vontade de rir.
Os outros assaltantes pareciam ter gostado da brincadeira, mas queria ir rápido então continuavam:

- Anda rápido! Manda o dinheiro! - E continuava dando tapas na minha cabeça, mas desta vez os três estavam se divertindo ao fazer isso.
- E você também! - o assaltante virou-se pro Brunão. - Ajuda! - e meteu mais um tapa!
O Brunão não entendeu que era pra ajudar a tirar a grana de caixa e passou a tirar os dinheiros do próprio bolso e a colocar em cima do balcão também.

O assalto terminou. Tudo não durou cinco minutos, mas eu levei pelo menos uns trinta tapas na cabeça.

O Danil ficou branco, o Brinão ficou duro (sem zuera pessoal), o Santo ficou rindo, e eu fiquei com a orelha inchada e metade da cara vermelha!

E por toda aquela noite o motivo de risada foram os tapas que eu levei e o Brunão ter entregue toda a sua grana sem necessidade! XD

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Cheesecake

Tem uma loja por aqui que chama Cheesecake, que vocês já devem imaginar o que vende.

- Olá, tem torta de queijo?
- Ahh - a vendedora olha pro balcão - não tem...
- E o que é aquilo? - aponto na vitrine do balcão.
- Ahh, é cheesecake!
- E o que vem nele?
- É uma massa folhada, com queijo, e temperos e.... - o rosto dela se abriu em entendimento.
- Ahh, então acho que vou levar uma.

E eu tenho certeza que depois que saí da loja, a atendente se sentiu a mais tonta e ignorante do mundo. EVER!

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Wow wow lançá!

- Japa! Tu não acredita o que eu consegui pro carna!
- O que?
- Lança!
- Cara eu adoro lançaaa! Uso sempre!

Na festa eu chego e entrego o lança-perfume pro Japa, que desenrosca a tampa e vira uma golada!

- Ahh, tá queimando cara! Tá queimando!
- É seu burro, usa sempre né?! Só se for lança-chamas.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

Coral - Parte 2

O professor de Educação Física foi na frente, enquanto eu o seguia de ombros caídos... Eu tava achando que ia levar uma advertência e meu coração tava na guela. O professor abre uma porta, me manda sentar em uma cadeira ali e diz pra eu esperar o intervalo.
O tempo não passava de jeito nenhum e eu já não sabia o que pensar. O sinal bateu e vários professores foram entrando, ali era a sala deles. Logo o Professor de Educação Física entrou acompanhando pela de Artes.

- Olha, agora que o projeto do Coral da escola tá a pique eu trouxe aqui o nosso Átila!

A professora olha pra minha cara, eu olho pra dela e nós dois olhamos pra cara do outro. Ninguém tinha entendido a proposta do louco.

- Você precisava ver ele cantando na minha aula! O menino é bom! Átila canta.
- Hein? - Minhas mãos tremiam! Eu não sabia pra onde olhar e minha cara mudava do tom esverdeado pro vermelho.
- Canta menino! Aquela música mesmo que você cantou na minha aula.

Eu olhei pra porta fechada suplicando pra que estivesse aberta pra eu fugir. Todo mundo me olhava e eu não sabia onde enfiar a cara.

- Átila, quer que eu acompanhe no violão? - A professora perguntou com carinho.
- Ah, pode ser...
- Que música é?
- O Caderno...

Então, ela deu as notas iniciais, eu fechei os olhos e cantei como outrora. Como da outra vez eu chorei fácil e no fim até aplausos eu recebi.

- Átila que coisa linda! Você quer entrar pro Coral como solista?
- Que?
- Você canta com uma emoção ímpar, acho que seria um ótimo adendo!

Dois dias depois eu fui pro primeiro ensaio. Foi legal pra caramba no começo, e não era tão dificil assim cantar no meio de todas aquelas pessoas. E no fim do ensaio a Professora tocou "O Caderno" e mostrou as partes que eu tinha que solar. E como das outras vezes foi tudo legal, mas eu já estava me acostumando com a música e nem me emocionei tanto... E parece que sem choro não foi a mesma coisa.
Depois de algumas semanas a gente foi convidado pra apresentar no Teatro Municial antes da apresentação da Orquestra da cidade. Estávamos todos completamente ansiosos, íamos estreiar as batas e parecia que tudo ia correr bem... até que a professora recebeu uma ligação. A menina que fazia o solo da maldita música Além do Arco-Íris não iria...

- Átila, você sola n'O Caderno e nessa também ok?!
- Hein?!
- Isso!

E começou a apresentação. Tudo corria bem, e o solo d'O Caderno foi legalzinho... eu tinha noção que eu havia desafinado, e também sabia que aquela emoção que eu não mais sentia fazia eu cantar de forma diferente. Então veio o segundo solo... Nesse eu enfiei a música no coo com gosto! A cara de desapontamento da professora foi de cortar o coração...
A apresentação foi boa, fomos aplaudidos e tudo o mais. Porém a professora não estava nada feliz... Naquela noite, ambos, eu e ela havímos descoberto que eu era um cantor de um sucesso só! XD

E dali em diante eu passei a tocar Côco no Coral!


domingo, 3 de fevereiro de 2008

Smart

Em Machado, eu, minha mãe e duas tias morávamos em uma casa com três quartos. Sendo o maior deles de frente pra rua e nesse quarto minha mãe montou um "salão" de cabelereiro. Então as pessoas sempre botavam a cara na janela pra conversar com minha mãe, fofocar e coisas do tipo.

Um dia uma mendiga apareceu e disse:

- ô fia, ocê num tem m dinheiro pra me dar?
- Ai, eu não tenho nada... e minha mãe não tá aqui. - a mãe respondeu.

O menininho Átila levantou a cabeça e se interessou.

- Mas ocê não puderia me arrumar nada?
- Eu não tenho! Só quem tem é minha mãe, e ela não tá!
- Mentira moça! A mãe dela morreu faz teeeempo!

E eu levei um passa fora pra aprender a não desmentir mais a mãe.

***

Minha mãe ficava ocupada no salão e não tinha como saber o que eu estava fazendo pela casa, então ela pegou uma mania de gritar "- Átila o que você está fazendo?". E eu super inocente SEMPRE dizia. E o melhor era quando acontecia coisas assim:

- Átila o que você está fazendo?
- Aite!

Podia correr que o menino tava fazendo arte! Ora jogando sabão em pó no vaso, ora espalhando e se lambuzando com Nescau.

***

O menino Átila estava doentinho e sua mãe cheia de clientes, até que chegou a Dna. Amália uma curandeira que tinha na rua, que benzia as crianças e tudo o mais.

- Ai Dna. Amália, o Átila não anda muito bem, o médico receitou um supositório, mas não anda adiantando..
- Óia fia, cê precisa fazer o siguinte: faz pra ele um chá de carqueja que ele miora, pusque limpa pu dento... Dá os remédio que médio receitô... Mas faz o chá. Ele vai dificá, ocê intruduz o remédio no âmbus dele...
- ... - Minha mãe estava morrendo de vontade de rir.
- Dispois ocê dá um banho nele, e deixa discansá. Mai faiz isso, dá o chá, espera ele dificá e intruduz o remédio no âmbus...

O miúdo levanta a cabeça e responde pra senhora.

- Não é âmbus, é ânus.

Minha mãe caiu na gargalhada e a mulher saiu praguejando Deus e o mundo.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Pêssego no Melon

Eu e meus amigos fomos no Melon, um barzinho pra putas e viados com uma pista de dança gigantesca que cabia pelo menos dez pessoas! Mas zueras à parte, o tal estava sempre lotado! Claro, viado tem em todo lado, e a pista pra esse pouquinho de gente enchia com pelo menos 50 pessoas... Dançar naquele lugar era um suplício, mas era o melhor (e único) bar do tipo na cidade.

Um dia estava lá eu e Biel, e eu super tava de olho num bonitinho que passava pra lá e pra cá e dava um jeito de se esbarrar em mim. E assim foi por muito tempo, porque eu sou uma negação pra 'chegar' em alguém... Até que eu resolvi tomar a inicitiva. Eu vi ele indo pra "pista" fui atrás e antes que ele pudesse entrar eu perguntei se poderia pagar uma bebida. Conversa vai, conversa vem e finalmente beijamos.

Ele beijava bem e talz, mas o cara tinha acabado de tomar uma Cuba e o gosto do beijo dele era de pêssego... Então ele ia no banheiro e voltava com a boca de um jeito que parecia que ele tinha comido bacon. Eu não entendia como ele tinha o beijo de pêssego e o lábio parecendo que tinha passado gordura de porco.
Até que chegou uma hora, a gente tinha acabado de beijar, o Biel veio falar comigo. O carinha se virou, eu terminei de falar com o Biel e fui olhar o que o rapaz tava fazendo....

... ele passava Gloss sabor pêssego nos beiço. E eu sumi no bar.




Que por ser um cubículo não adiantou muito, e ele me achou 10 minutos depois! XD

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

O poder da mente

Eu nunca gostei muito de acordar cedo, na verdade sempre fui coruja e desde pequeno gostava de ir dormir tarde. Então quando eu estava no ensino fundamental até a 3ª série era de boa, pois eu estudava a tarde e podia dormir bem! Mas quando eu fui pra 4ª série, a coisa piorou drásticamente... acordar cedo pra mim era o maior crime que podia ser feito e nunca deu certo. Eu só não repeti nenhum ano por falta, porque minha mãe era super exigente e me tirava da cama abaixo de água gelado se preciso... Até eu descobrir os meus poderes de atuação!

Quando eu não queria ir pra aula eu fazia voz mole, apertava a barriga e dizia pra minha mãe que o meu estômago doía... No começo deu certo, até minha mãe me levar no médico e ele dizer que não tinha sintomas nenhum.

Então eu tive que me atualizar. Quando eu chegava na escola e não tava afim de estudar eu pegava meu lápis de cor roxo aquarelável da Faber-Castel e ia pro Banheiro. Lá eu secava meus beiços com a camiseta e puxava até ficarem esbranquiçados e rachados. Passava o dedo na língua e passava na pontinha do lápis e fazia olheiras gigantes. Depois vinha o lado interpretativo, eu fazia cara de mongol e voz de morto. Super dava certo, passava meia hora eu estava em casa deitado na cama vendo tv! =D

Logo minha mãe começou a desconfiar também e eu tive que aprender a vomitar... calma calma... eu não virei bulímico! Eu enfiava manteiga na boca com leite e uma colher de Nescau e cuspia no vaso fazendo sons guturais! E claro minha mãe acreditava e eu não ia pra escola!

E assim foi indo, sempre que eu queria faltar eu dava um jeito de passar mal.... até que eu comecei a passar mal de verdade. As agulhadas que eu sentia no estômago, só quem sente pra saber como é, e as dores de rolar pro chão como se o estômago tivesse virado do avesso não desejo nem pro meu pior inimigo (tá, desejo pra uns... mas só um pouquinho).

Tive que fazer endoscopia, fiquei uma semana comendo gelatina e sagu devido aos arranhões na garganta (mas graças à isso eu quase não sinto ânsia, ficadica) e descobri que meu poder da mente era maior do que eu pensava: eu inventei TANTO uma dor no estômago que eu realmente ganhei uma!

E hoje eu tenho que chorar de dor (sem atuação) pra minha mãe acreditar que estou tendo uma crise de gastrite.