segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Destino: Lisboa - Parte 2

As velhas sentaram-se cada uma de um lado e eu no meio, e começaram a conversar por cima de mim. Eu não ia agüentar aquilo. Olhei pros lados desesperado e vi um carinha todo bonitinho conversando com a aeromoça:

- Então, eu vou ficar na Pontinha, tenho família lá...

- Ah, tu vais gostar de Portugal, vais fazer amigos e logo esqueces o Brasil!

- É em Lisboa que fica a Pontinha não é?

E eu fiquei prestando atenção no garoto, que puxava o mesmo assunto com todos @s comissári@s de bordo de chegavam perto dele. Enquanto as pessoas entravam e tomavam seus lugares eu fui reparando no jeito do garoto, e numa analisada rápida eu percebi: era viado.

Todo mundo tomou seus lugares e o do lado dele havia ficado vago. Pra mim aquela seria a salvação, sair do meio das velhas (sem trocadilho, por favor) pra ir pro lado de um gaténho, que parecia ter a minha idade e teríamos cerca de 10 horas pra nos conhecermos melhor.

Então eu usei a mesma técnica que fazia com minha mãe: sequei os lábios, e com as mãos puxei-os pros lados, pra ficarem roxos e secos, completei com os olhos semicerrados e a respiração ofegante.

Apertei o botão pra chamar comissário e logo uma senhora veio, e nem me perguntou nada:

- Levante-se venha comigo!

Fui com a aeromoça até a parte da frente, ela pegou um copo de água com um remédio e me deu.

- É a primeira vez que voas?

- É... – menti. Mas abaixei a cabeça pra completar minha perfeita atuação.

- Não te sintas envergonhado, acontece com muita gente.

Logo a voz de uma outra comissária começou a dizer todos os processos de segurança e aquelas coisas do vôo.

- Vais ter de ficar aqui agora, não dá tempo de voltares pro teu assento.

Então, eu sentei em uma das cadeiras das aeromoças enquanto o vôo decolou! Foi bem legal acontecer aquilo de uma perspectiva diferente... Então depois de decolado e estabilizado, ela me mandou voltar pro lugar. Aquela era a hora:

- Olha, do meu lado está sentada uma senhora com um perfume muito doce. Eu acho que foi isso que me ajudou a passar mal.

Então a Comissária olhou pra onde eu estava e passou os olhos em volta.

- Olha lá perto, ao lado daquele rapaz tem um lugar, se importa de ir pra lá?

- De forma alguma!

Então, ela me acompanhou e perguntou pro menine se eu poderia me sentar ali, ele me olhou de cima a baixo e sorriu:

- Pode, pode sim!



Heh

9 comentários:

Anônimo disse...

eu quero a parte 3!! eu quero a parte 3!! *.*

soh espero q naum seja como o menino da ótica!! ahuahauhauahuaha

Anônimo disse...

Senta aqui, senta.

Lucas disse...

Aff.

Posta logo a parte 3, Tiul. Tu não é a globo, biiiishhhh.

Coragem!

Anônimo disse...

Dúvida: como vc fez pra saber que o cara era viado? Foi porque ele tinha jeito afeminado?

Anônimo disse...

Oi. Só pra dizer que você escreve MUITO bem. Li alguns dos seus posts, e fiquei impressionado com a sua amplitude. Do humor mais light ao mais sarcástico, do evocativo à descrição do cotidiano, em meia dúzia de textos você fez o meu dia ficar melhor. Valeu! (E, ao contrário da sua carreira como cantor, com certeza você não é um escritor de um sucesso só.)

Laïse disse...

por que eu acho que isso vai dar merda?

Anônimo disse...

[por que eu acho que isso vai dar merda?]²

tu num préxxxta, tiul...

saudades enormes!!!

Nanda Soares® disse...

Dindooooooooooooooooooooo
Pedido da sua afilhada preferida: parte 3 urgenteeeeeeeee!!!!!!!!!!!!!!!

Unknown disse...

Tiul, posso fazer um pedido (pelamordedeus) já exigindo uma resposta?

Por favor, escreva um texto auto-explicativo de como pegar alguém na noite (pode ser de dia, no ônibus, indo pra faculdade, etc)?

Você pega geral! Pelo menos nas histórias.

gradecida =)

Beijo!