Quando eu peguei o ônibus pra ir pra São Paulo eu já não estava nada feliz, era uma vida toda que eu ia deixar pra trás em Poços de Caldas, no Brasil, pra começar uma inteiramente nova e sem perspectivas alguma em Lisboa, Portugal.
No Brasil eu tinha meus amigos, o trabalho perfeito, as baladas, a minha identidade. Já em terras Lusitanas eu não sabia o que estava a minha espera. Eu ainda passei uma semana na casa da minha tia em Sampa antes de pegar o vôo, mas então havia chegado o dia. Aquela seria a minha viagem pra Portugal.
Minha tia me levou até o aeroporto de Congonhas pra eu pegar um busão pro aeroporto de Guarulhos. Ela chorou até na despedida e minha priminha soltou uma pérola fantástica:
- Átila, a gente te espera voltar viu? Mas por favor, não fica burrinho como os portugueses?
E duas portuguesas que estavam do nosso lado olharam feio pra minha tia, que sorriu sem graça. Então eu entrei no ônibus e me sentei ali na poltrona mais ao meio... Juro que aquela viagem de 20 minutos até o outro aeroporto durou horas! Eu estava com meu celular antigo, passando mensagens de despedidas pra todos os meus amigos, e cada uma que eu recebia de volta eu chorava igual criança que perde a mãe no parque. O ponto alto da viagem de bus foi quando eu (essa é uma grande mania minha) comecei a tirar fotos de mim mesmo, pra ‘registrar o momento’! Quando eu vou ver as fotos logo reparo que uma das portuguesas saiu em umas três fotos, uma me apontando com cara feia e nas outras duas parecia que tava rindo da minha mania de fotos! :p
Então logo que cheguei no aeroporto, fui fazer o check-in (ou chequinho como diria uma pessoa que eu não vou contar quem é pra não passar vergonha). Eu tava todo me achando de cabelo comprido, o cara do guichê olhou na foto do passaporte (que eu tava de cabelo curtinho e topete) olhou pra mim, olhou na foto, olhou em mim.
- Você mudou hein?
- Pra melhor espero!
- Ah, tá parecendo mulherzinha com brinco e cabelão!
- ...
- Brincadeira!
Eu acho que ele tinha pensando alto, e na hora que ele percebeu a gafe já era tarde, mas tudo bem eu abstraí porque ele era gato e eu fazia demais! Então com as malas pesadas despachadas e o check-in feito, eu tinha agora horas intermináveis sem nada pra fazer no aeroporto até chegar a hora do vôo. Fui andando, olhando bundas e malas vitrines, até que eu vi um coiso bem legal, tiposkiera uma televisão que a gente tocava e do lado tinha tipo um globo em holograma, sei lá, acho que era isso. Então eu fui lá entrei na fila (porque pobre adora essas novidades, então lota néam?) e esperei minha vez. Quando esta chegou, eu nem toquei no negócio e veio um menino gordo de uns 10 anos correndo gritando “eu eu eu eu eu eu “ me deu um empurrão e começou a mexer! Eu fui reclamar, porque meu pavio curto me impede de ficar quieto, então um homem mais gordo ainda chegou todo suado.
- Desculpa meu filho, ele não pensa muito no que faz...
- Ah... ele tem retardamento mental? – falei com a voz mais cristalina e simpática que a minha falsidade pôde deixar.
- Uhn... mais ou menos, ele.. é...
- Teve meningite? Se for ele pode ficar com minha vez!
E saí fazendo a egípcia.
Então eu andei mais um pouco, comi no Emi Ci Donaldis e fui pra fila pra entrar na sala de embarque. Na fila um americano veio me perguntando se a fila era do vôo pra Argentina, eu disse que era pra Portugal e ele me olhou feio e mandou um “fuck u” que eu até hoje não entendi o porque... Eu acho que ele tinha perguntando outra coisa. Então cheguei na fila de espera e do meu lado sentou um espanholzinho lindo com a esposa brasileira e um filhinho recém nascido... Era tudo muito lindo se não fosse os dentes podres do rapaz e seu cheiro característico do Rio.......... Tietê. Eu não agüentei muito tempo e logo levantei e fui pra fila de embarque de uma vez. Na fila teve uma senhora que me perguntou tudo da minha vida, ela só não me perguntou como se faz uma xuca porque eu acho que ela não faz anal.
Então sem mais problemas eu entrei no avião, sentei no meu lugar, e fiquei vendo a revista com a lista de filme e músicas que ia ter pra assistir/ouvir, até que eu ouvi uma voz:
- Por favoire,pode se retirar?
Olhei pra cima e vi as duas velhinhas portuguesas que tavam me perseguindo desde Congonhas.
- Como?
- O menino está sentado no meu lugar!
- Não estou, não! - Peguei minha passagem e mostrei o número, a velha ficou toda sem graça e analisou seu bilhete com a da amiga. Então notaram que haviam vendido pra elas duas passagens intercaladas...
Comigo no meio.
8 comentários:
Tio, você fica um gato de cabelo curto meio arrepiado.
Faciiiinho, facinho....
morrrrooo de rir!
XD
Nossa, Tiul! Vai dizer que não trocou de lugar com elas? Ficou no meio, mesmo? Hahaha!!! Deve ter sido uma loucura essa viagem! Conta aí, pô!
Super te imagino fazendo a egípcia!
Hahaha!
E o que era a televisão?
miacabo de rir com tuas histórias! tu tens o talento nato de estar na hora errada e no lugar errado! hahahaha
bjão!
naum entendi o lance da egipcia
hahaha
Fico aqui imaginando o olhar câncerígeno* que elas lhe lançaram.
Cadê a parte dois?**
*(Não repare, não sei escrever cancerigeno)
** Cheguei hoje e já tô exigindo o final da estória... =)
"ela só não me perguntou como se faz uma xuca porque eu acho que ela não faz anal."
MEACABO uhuahauahauhuahu
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