quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Faculdade

Professor explicando a matéria e eu virado pra trás batendo papo. Tipo que eu sou super autodidata e nunca fui de ficar prestando atenção nas aulas, mas os professores nunca entenderam isso.
A sala toda prestando atenção e super fazendo perguntas e discutindo e eu lá invicto na fofoca. Até que meu amigo me contou uma coisa impressionante, a sala silência do nada e eu solto uma a plenos pulmões:

- Porra! Agora embuceta tudo!

A sala cai na gargalhada e o professor pára na minha frente.

- Tá prestando atenção na aula, Átila?
-Claro! - pego a lapiseira, coloco sobre a página em branco e olho sorridente pro professor.
- Então você sabe me responder qualquer coisa que eu perguntar?
-Opa!
- Então, Átila, me fala um algorítmo simples pra calcular os coeficientes binomiais.
- Não.
-Porque não?
-Porque eu quero guardar só pra mim.

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Velório

Foi um dos dias mais tristes da minha vida. Minha avó Helena tinha morrido após mais de 2 meses no hospital. Uma semana antes ela passou bem e até tinha saído da CTI. Porém ela não aguentou e faleceu...

Eu morava em Poços de Caldas que ficava a UMA hora de distância de Machado, a cidade onde minha avó morava e onde estava sendo o velório. Então que pra ir pra cidade já foi foi um caos: Meu tio não queria levar a gente, o povo começou a brigar, rolou até "filhos da puta" e ameaças de tapa na cara (minha família é show). Aí acabou que meu primo é quem foi dirigindo e meu tio ficou todo puto pra trás resmungando.

O percurso só demorou 2 horas pra ser feito, com 7 pessoas dentro de um Corsa. E eu ainda briguei porque todo mundo me empurrava e eu não conseguia jogar meu Game boy! Sim eu sou uma diva!

Então eu chego no velório e tenho o choque de ver aquela que me emprestava sua letrola pra eu ouvir meus discos da Xuxa, deitada num paletó de madeira. O coração foi pra boca. Fui até ela e peguei na mão sobre o peito.

- Ai mãe, - eu já estava debulhando em lágrimas. - a vó tá tão gelada...
- Claro né Átila, ela tá morta!
(minha mãe é um doce)

Então que chega minha tia.

-Átila você não quer tomar um café? Não foi a vó que fez (minha vó fazia um café doooce e ralo) mas tá igualzinho.

Fui.

- Ai Átila, a tia tá muito triste... Nunca pensei que poderia passar por isso...
-Eu também tia! Sempre que vinha aqui em Machado o primeiro lugar que eu ia era na casa da vó...
- Ah, mas a Tia Beth vai morar lá.
- Mas ir na casa da vó, sem a vó estar lá é o mesmo que uma lasanha sem presunto...

Presunto? Nem dei bola fora....

Então meu avô chega. Irmão da minha avó. Sim, minha mãe se casou com o primo e por isso que eu sou assim. Que foi, tá olhando o que?
Então meu avô chegou e cumprimenta a tudo e todos assim:


Depois ele vai lá no caixão, olha a irmã dele, faz o sinal da cruz e continua com seu sorriso estampado! Achando que tava na festa de São Benedito!

Até que eu vou até ele, pego em seu braço e falo no ouvido.

- Vô, isso aqui é um velório e não uma festa!

E ele assume o ar característico:

Por fim, tem o escândalo da tia que não saberá viver sem a mãe. E o primo bêbado que chora como cão vadio. Até que decidem fechar o caixão e a Maria do Cemitério (Who? Joga no Google) vem avisar que tá na hora de enterrar.
E algum feliz manda:

-Os netos que tem que levar o caixão.

E junta todos os netos, um em cada alça do caixão e vamos levando... e vamos levando... e o caixão vai pesando... eu magrelo e sem força.

Larguei o caixão.

O meu primo que tava na frente faz um movimento de mestre consegue segurar a minha alça e a dele e cai com o caixão! Mas pelo menos evitou que ele abrisse.

- Átila! O que aconteceu, filho?
-Não sei mãe, alguém não aguentou segurar o caixão.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Napa

Hoje eu vou revelar uma coisa GRANDE! Vou falar sobre meu nariz! hãhã?! tendeu?

Quando a puberdade foi se aproximando e o corpo começou a mudar, eu já me apercebi que meu nariz estava tomando proporções que antes não era notável. Porém ele não era nada tão fora de ângulo assim.

Mas o que aconteceu Tio Tiul? Você me pergunta.

Aconteceu que eu fazia um curso de teatro! Como assim?

Explico:

No curso de teatro o nosso professor (saudade Tio Chris!) adorava passar dinâmicas, e era uma mais legal e engraçada que a outra! Até que ele passou uma que funfava assim: Um copo no meio, dois grupos, um de cada lado. Soa o apito um membro de cada grupo vai pro centro e disputam o copo que está no chão. O que pegar o copo tem que voltar pro seu lado sem ser tocado pelo adversário.
Então que foi eu e o Leandro, um ameaça de cá, o outro de lá até que eu peguei o copo. Mas a minha santa inteligência me fez voltar de costas pro meu grupo! O Leandro pisou no meu pé, eu caí de costas ele caiu por cima de mim e bateu a cabeça no meu nariz.

Pronto, a minha napa nunca mais foi a mesma!



Então eu sempre tive que aguentar coisas do tipo:

"Cuidado Tiul se você fungar nos mata asfixiado!"

"Átila!" eu olho e todos se abaixam. "Cuidado com esse nariz!"

"Quando você fica gripado, seu mundo acaba em ranho né?"

"Tucano"

Mas a pior delas foi quando fiz o teste pra novela Chiquititas. Passei em todas as fases, chega na fase de vídeo o diretor somente me disse:

"Nariz errado."

T_T

domingo, 6 de janeiro de 2008

Sinceridade

Na faculdade eu tinha uma super amiga chamada Estelinha. A gente vivia junto e nos pegamos várias vezes não tinha medo de falar as coisas um pro outro.

- Estelinha, vi sua sobrinha hoje no shopping!
- A Ge?
- É!
- Ela é bonita né? - Falou a Estelinha o peito inflando de orgulho.
- Ah, eu nem pegava não!
- Como?
- Ah, eu nem acho ela bonita, eu não pegava!
- Como vc ousa falar assim da minha sobrinha? Tudo bem você falar de mim, mas da minha família? eu não aceito mesmo e....

E?
E que ela falou a noite inteira no meu ouvido.

Ou seja, nem as melhores amizades aguentam a sinceridade 100% do tempo.

sábado, 5 de janeiro de 2008

Dever de casa

Eu ainda não sabia ler, então minha mãe super me ajudava com os trabalhinhos de casa.


- Átila, eu falo a árvore e você fala a fruta que a árvore dá, tá bem?
- Tá!
- Laranjeira?
- Laranja!
- Bananeira?
- Banana!
- Macieira?
- Uhnn...
-MACIeira...
- Ah, maçã!
-Mangueira?
-Água!

=D

Ótica - parte 3

Então que eu fiquei super chateado de ver que o Paulo tinha me olhado e dado uma pinta, e minha mãe ter feito o comentário empata-foda. Passaram-se uns dias eu estava no café tomando o pequeno-almoço (1) quando escuto um "hem hem". Olho pra trás e o Paulo estava lá, sorrindo.

O mundo parou, eu me perdi naqueles olhos muito azuis, parecia ter ficado bêbado! Como ele era bonito e ele...

- Podes me dar licença?
- Ahn? oi?
- Quero tirar um tabaco!

Olho pra trás e percebo que to empatando o caminho pra máquina de cigarro.

- Ah, tá pode passar!

Então o Paulo vai lá, tira o cigarro abre, e remexe no bolso, no outro, faz cara de tédio.

- Você quer Lume(2)?
- Ah, tens?
-Aham, toma!
- Obrigado!

Então ele vai se distanciando. Eu olhando. E decido que teria que ser aquela hora.

- Ei Paulo!

Ele olha pra trás.

- Você tem msn?
- E pra que?
- Ué, pra falar com as pessoas e...
- E pra que tu queres!?
- Pra fazer amizade falar contigo....

12 horas depois:

Tananã!

Um amigo é komo um komputador,entra na tua vida. Formata os teus problemas. Guarda-te no coraxao, e nunka te apaga da memoria.. diz:
Olá Átila, até que enfim me destes bola!


E eu achando que era ele é que não me ligava!

(1) Pequeno almoço - café da manhã
(2) Lume - isqueiro

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Avião

Minha mãe foi na escola para a reunião de pais e pra buscar meus trabalhinhos do ano todo. A Tia Kátia me elogiou dizendo que eu era muito inteligente e criativo! Mamãe foi embora toda orgulhosa do seu rebento.

Então já em casa analisando meus dotes artísticos ela chega em um desenho com o título de "Avião", e o desenho consistia em um emaranhado de rabiscos, bolas e quadrados com muito vermelho e o desenho de um cubo preto.

- Átila, esse desenho aqui, mostra pra mamãe. Porque ele chama Avião? Eu não to vendo o avião!

Eu mostrando minha viadice macheza desde cedo coloco as mãos na cintura e respondo com ar de superioridade:


- Ai como a senhora é bobinha! Não tá vendo que o avião explodiu? Tem até caixa preta!

(tudum! plaaaff! - bateria e prato - som de piada contada em sitcom. Pra vc Pedro!)

Viu? a Professora tinha razão! Eu era notavelmente inteligente e criativo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Reveillon

Eu ainda fazia a linha hétero e fui com três amigos passar o Reveillon num super clube chamado Praia do Sol em Poços de Caldas em 2006 pra 2007.

Como todo reveillon, o povo se joga e beija qualquer um dança e se diverte antes da contagem regressiva e esse não foi diferente.

Porém a coisa ficou boa depois da meia noite. Eu super fiquei com uma amiga minha que hoje é sandalinha e fizemos a festa!

O melhor da noite foi quando começou a chover e todo mundo se escondeu embaixo dos quiosques que tinha por lá. Do nada escuto a minha amiga xingando um garoto:

- Prestenção muleque, olha seu cabelo antes de zuar com meu amigo! (ela se referia à mim) Tá olhando o que? Se quiser cai dentro! adoro a feminilidade dela!!

Meu cabelo nesse reveillon:






E no mesmo quiosque eu tenho a grande idéia de dar um murro na barriga d'água que se formou na lona em cima do people. E eis que água acumulada caiu inteira em cima de uma moça que tava ali do lado sequinha.

Ela ficou tão puta que o máximo que ela conseguiu fazer foi abrir a latinha de cerveja dela e jogar em mim e em minha amiga!

Amiga essa foi pra vc! Te amo!

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Surra

Na escola eu era aquele carinha magrinho que não brigava com ninguém, mas que sempre andava com a turminha da bagunça. Por não ter força física eu tinha que usar do meu intelecto pra me defender e arrumar defensores.

Eu tinha uns 6 ou 7 anos, e junto com meu amigo Neto (meu defensor e pelo menos 10 Kg mais gordo que eu) provocávamos uma menininha todo dia. A Priscila era uma menina normal como outra qualquer. Ela usava um aparelho móvel que fazia ela falar cuspindo e por ser muito magrinha a gente chamava ela de perna de caniço, vareta (como se eu fosse muito gordo), entre outros apelidos ligados à osso de fora e afins.

Todos os dias no parquinho, eu provocava, ela corria atrás de mim, eu corria pra trás do Neto e ela desistia.

Eu provocava, ela corria atrás de mim, eu corria pra trás do Neto e ela desistia.

Até que um dia o Neto ficou doente. Eu pensei: é só provocar e correr dela, ela não vai me alcançar...

Como eu estava enganado.

- Priscilaaa, perninha de caniçoooooo! /lero

Pronto, a menina virou um vento atrás de mim, eu corria. Ela corria mais. Eu desviava. Ela não desistia. Ela chegava perto, e eu fui ficando em pânico.

A Priscila me passou um rapa-bosta (1), eu caí de cara no chão e de onde ela estava logo me deu um chute na boca do estômago. Me virou de frente pra ela (nisso já tinha juntado a rodinha em volta da gente) sentou na minha barriga e me deu alguns murros na cara.

Dois dias depois, após a suspensão, eu voltei. Falei com o Neto e ele foi atrás. Foi só um murro na boca e a Priscila engoliu o aparelho móvel.

Apanhei em casa por provocar brigas e não me defender.

O Neto apanhou do pai pra não ser mais bruto.

E eu levei a primeira coça da minha vida de uma menina.

(1)rapa bosta - rasteira

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Ótica - parte 2

- A gente vai passar lá na ótica, mas vê se não fica olhando o garoto de novo!
- Tá bom mãe! Eu nem fiquei olhando tanto...

E de novo adentro a ótica com minha mãe, e de novo ele tá lá: o estágiário. Dessa vez eu tava mais calmo, Paulo o nome do garoto, eu vi pelo crachá. E o olho dele é muito bonito. Contei umas piadinhas pra amiga da minha mãe que trabalha lá, ele sorriu pra mim e deu uma piscadinha...

Opa, ele deu uma piscadinha?

Continuo fazendo a linha engraçado, contando as diferenças da língua entre Brasil e Portugal e cada vez mais eu e o Paulo vamos trocando olhares.

- Átila, tu és muito giro(1), porque não fazes amigos cá? - diz a amiga da minha mãe
- Ah, ele tem os amigos da internet!
- Oh Átila, tu tens que fazer seus amigos cá!
- Eu já disse, que ele tem mesmo...
- E namorar?
- Helga, até namoradA na internet ele tem.

Ao ouvir a palavra namorada, Paulo virou de costas e continuou a mexer nos óculos.

- Mãe eu não tenho namorada!
- E aquela que vocês dizem que vão ter filhos juntos?(2)
- Vá lá vai! Que até a barraca abana! (3)
- Ai mãe é uma amiga e....
-Amiga, sei....
- Os óculos estão prontos - o Paulo falou.

Despedimos todos e na saída ele não me riu. Tem horas que mãe deveria ficar quieta.


(1) Giro - legal, bonito.
(2) Eu quero ter uma filha com uma racha amiga minha que é sandalinha.
(3)Vá lá vai! Que até a barraca abana - Porra! Isso assusta!



FELIZ ANO NOVO A TODOS!